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quinta-feira, 15 de julho de 2010

II Conferência Latino Americana e I Conferência Brasileira sobre Políticas de Drogas

O evento, organizado pela associação civil Intercambios, acontecerá no Rio de Janeiro, na UFRJ, nos dias 26 e 27 de agosto. A inscrição é gratuita e pode ser feita no site do evento até o dia 20 de agosto. A I Conferência Latino Americana sobre Políticas de Drogas aconteceu em 2009, na Argentina.




"A produção e uso de drogas são fenômenos plurais, com múltiplas manifestações, de acordo com o momento histórico, a cultura, o modelo econômico, a situação de um país, os vários significados que são atribuídos pelos indivíduos e as diferenças entre as substâncias. No entanto, insistem em homogenizar a “droga”, como se fosse um fenômeno único, atemporal e ahistórico.

Nos últimos cem anos, este tema tem sido tratado como uma “questão social”, os diferentes atores -incluindo o estado- tem contribuído para a sua construção como um problema social.

As políticas de controle das drogas expressam tensões, contradições e conflitos sobre a forma de regular a sua produção e consumo. Sobre essa esfera, os debates locais e internacionais são desenvolvidos.

No contexto da América Latina de enorme desigualdade social, de grande disparidade de renda e pobreza, esses debates não podem escapar do impacto das políticas de controle têm produzido na região: o isolamento social, desproporcionado reclusão de usuários de drogas, violência social e violação dos direitos humanos básicos.

Inaugurado em 2003, a Conferência sobre Política de Drogas tem por objetivo ser uma plataforma de discussão e elaboração de propostas superadoras."

Mais informações no site do evento.

sábado, 1 de maio de 2010

Simpósio Sulamericano de Políticas sobre Drogas

A Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude, por meio da Subsecretaria de Políticas Antidrogas, em parceria com a Assembléia Legislativa, Ministério Público, Associação Comercial, Instituto dos Advogados de Minas Gerais e SERVAS, realiza de 06 a 08 de maio o I Simpósio Sulamericano de Políticas sobre Drogas: Crack e Cenários Urbanos.

O evento tem por objetivo discutir e elaborar proposições efetivas frente às demandas do consumo abusivo de crack impostas à sociedade, tornando a política sobre drogas pauta das agendas setoriais do Governo. Será realizado no Centro Mineiro de Referência em Resíduos (Av. Belém, 40 - Esplanada / Cep.: 30285-010), em Belo Horizonte.

A abertura do Simpósio acontecerá na quinta-feira (06), às 08 horas e o evento prosseguirá na sexta-feira, das 08 às 18 horas, e no sábado, de 08 às 13 horas. Pesquisadores, estudantes e profissionais da área podem inscrever-se até o dia 04 de Maio. As inscrições são gratuitas.

Informações: (31) 3349-2500 ou issulamericano2010@yahoo.com.br





Leia a notícia completa clicando aqui.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Consumo de crack aumenta urgência por leitos psiquiátricos em hospitais


A notícia é de fevereiro deste ano, não é de Belo Horizonte, mas vale a pena pensar sobre a situação.

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Uma antiga deficiência do sistema de saúde de Bauru, a necessidade de leitos em hospitais para atender doentes em momentos de crise mental, ganha novamente caráter de urgência diante do aumento considerável do número de usuários de crack nos últimos dez anos. Conforme divulgou recentemente o JC, apenas nos últimos cinco anos, triplicou a quantidade de pacientes com distúrbios mentais associados às drogas, principalmente ao uso crônico de crack, atendidos pelo Centro de Atenção Psicossocial a Usuários de Álcool e Drogas (Caps-AD) de Bauru.

Embora não haja levantamento oficial no município sobre o tema, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) avalia que a quantidade de dependentes da droga que procuram o Pronto-Socorro Central (PSC) com alterações comportamentais e psíquicas cresceu sensivelmente, sem que houvesse uma adequação mínima para atender os devidos casos de internação.

“A percepção dos profissionais que atuam no Conselho Municipal de Álcool e Drogas, nas escolas e no PSC é que este é um problema crescente. O crack está substituindo outras drogas, com o agravante de ser mais barato e ter um efeito muito mais devastador sobre o usuário”, afirma o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.

Com isso, os pacientes de Bauru – com transtornos mentais seja pelo uso de crack ou por outros motivos - têm de ser encaminhados à Associação Hospitalar Thereza Perlatti, de Jaú, única instituição na região responsável pelo atendimento de 38 municípios através do Sistema Único de Saúde (SUS). Os poucos que têm condições de arcar com internações em clínicas particulares desembolsam, em média, entre R$ 1 mil e R$ 2 mil a cada mês.

O resultado desse gargalo é fácil de prever e duramente comprovado, há 15 anos, por um autônomo entrevistado pelo JC, cuja identidade será preservada para evitar constragimentos. Pai de um usuário de crack, que chamaremos de Marcelo, ele viu suas relações familiares se desintegrarem em razão da droga.

O filho, de 33 anos, vendeu todos os seus pertences, agrediu verbalmente e fisicamente os pais e chegou até a ser preso por roubo. Sem conseguir um tratamento efetivo para a dependência e para os problemas mentais que vieram como consequência, teve de pôr o próprio filho para fora de casa.

“Não teve jeito. Ele já teve diagnóstico de transtorno bipolar, esquizofrenia e sofre com surtos. Agora ele dorme no quintal, só entra em casa para comer e tomar banho. Senão, ou quebra tudo o que tem em casa ou leva para trocar por crack. É uma sensação de impotência e tristeza que não tem tamanho”, lamenta.

Na semana passada, Marcelo foi voluntariamente ao PSC para tentar uma vaga no Thereza Perlatti. Em vão. Foram longos oito dias de espera dentro da unidade e sete solicitações dos médicos que o avaliaram, todas devidamente documentadas, conforme destaca a SMS.

“O médico do Pronto-Socorro disse que a espera por uma vaga de internação no Thereza Perlatti não seria menor do que quatro meses. E, assim como meu filho, mais cinco pessoas estavam na mesma situação, aguardando há dias. É um absurdo, tive que trazê-lo de volta para casa”, reclama o autônomo. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado da Saúde nega que o pedido tenha chegado à Central de Regulação de Vagas da pasta.

De acordo com o pai de Marcelo, todos os caminhos para encontrar um tratamento adequado e efetivo para o filho já foram buscados. “Tentei até uma internação judiciária, mas não consigo porque o juiz requer uma negativa de vaga do hospital aqui em Bauru e todo mundo diz que é impossível. Quando a gente mais precisa de ajuda, não consegue. É uma luta que começa perdida”, relata.

Diariamente, Marcelo toma 14 comprimidos de quatro tipos de medicamento diferentes para controlar as crises e faz tratamento no Caps-AD, mas nunca conseguiu se livrar do hábito. Segundo Monti, embora a instituição seja importante para o tratamento dos doentes, ainda possui uma eficácia modesta diante do poder do crack sobre os usuários. “Mesmo com tratamento no Caps ou em comunidades terapêuticas, o índice de reingresso no uso da droga é altíssimo”, salienta.

Leitos não solucionam problema, mas ajudam

Embora saliente que a criação de leitos para internação psiquiátrica de usuários de crack não seja capaz de resolver todo o problema da drogadição, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, acredita que as vagas seriam capazes, ao menos, de dar algum suporte para as famílias em momentos extremos de crise. “Nessa hora, a internação por alguns dias diminuiria o transtorno às famílias e ajudaria o doente a se recuperar daquela situação de fragilidade, mas não serviria para reabilitá-lo”, considera.

A postura adotada pela secretaria está em consonância com o movimento antimanicomial que, ainda hoje, luta contra as chamadas internações prolongadas, situação em que o paciente com psicose grave ou um transtorno metal leve, fica, às vezes, por anos isolado em hospitais psiquiátricos ou manicômios. Atualmente, em Bauru, não existe mais hospital especificamente para pacientes com transtornos mentais e o atendimento àqueles que dependem do crack é feito no Centro de Atenção Psicossocial a Usuários de Álcool e Drogas (Caps-AD).

A atual reivindicação da Luta Antimanicomial é a criação de leitos para pacientes com transtornos mentais em hospitais gerais como o de Base ou o Manoel de Abreu. No entanto, a utilização dessas vagas serviria apenas para sanar uma situação imediata e deveria ser acompanhada de tratamento permanente com o paciente convivendo em sociedade.

“É um equívoco muito grande colocar pessoas dependentes de drogas em hospitais psiquiátricos. O histórico mundial a respeito de instituições que isolam indivíduos da sociedade tem sido muito negativo”, alerta o professor de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Celso Zonta, um dos precursores da luta antimanicomial em Bauru.

Mas, para que as unidades hospitalares já existentes possam receber esses pacientes com demandas tão específicas, ele salienta que seria necessário um preparo adequado tanto das dependências das instituições quanto das equipes de profissionais. “Porém, vale lembrar que de nada adianta ter todo esse espaço apropriado se o dependente químico não quiser o tratamento. Internação compulsória é algo que a gente já sabe que não funciona”, frisa.

Enquanto o Estado não provê o atendimento adequado nos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a Secretaria Municipal de Saúde mantém convênio com uma comunidade terapêutica em Votorantim para receber e tratar pacientes adolescentes usuários de drogas. “Esse convênio foi feito de forma emergencial em razão da demanda que existe aqui. Temos o desejo de ter uma entidade como esta em Bauru, mas ainda estamos discutindo essa proposta”, observa.

Não há previsão

Consultada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informa que não há previsão nem discussão em andamento para a implantação de leitos psiquiátricos em hospitais gerais de Bauru. Segundo apurou o JC, no ano passado, antes do escândalo que resultou na Operação Odontoma, a Associação Hospitalar Bauru (AHB) discutia com o município a possibilidade de ceder uma área do Hospital de Base que serviria como retaguarda ao Pronto-Socorro Central. Entre os leitos que seriam disponibilizados, estariam vagas para atender os casos de transtornos mentais, incluindo os provocados pelo uso contínuo de drogas.

Autor: Tisa Moraes